HORA DE MUDAR

Queridos amigos leitores e leitoras. Após 3 anos e dezenas de filmes resenhados resolvi que é hora de mudar. Estarei migrando para o Blogspot que permite dar um ar mais profissional ao Blog. Também resolvi que junto com a migração, mudarei o nome do Blog. Minha intenção quando criei o "Crítico Sou Eu" era dar espaço para todos que amam a Sétima Arte poderem divulgarem suas opiniões e visões. O nome "O Crítico Sou Eu", tinha como intenção dizer que os críticos são vocês, eu pretendia e esperava uma interatividade maior, mas como isso não aconteceu, acho que este nome ficou fora do contexto porque somente eu assino as postagens, logo, resolvi mudar. Afinal, não sou crítico de nada. Sou apenas um apaixonado por Cinema assim como vocês. Foi bom enquanto durou, mas nada acabou, pelo contrário. O novo Blog vem com tudo e já está disponível com minha programação da 32° Mostra. Além disso, poderei dividir os assuntos, uma vez que o Blog deu uma variada e aumentou o leque de seções dando espaço a música, teatro, exposições, gastronomia e afins. Agradeço desde já a todos que vêm acompanhando o Crítico e espero que vocês curtam o novo Blog. Aos poucos irei transferindo o conteúdo do Crítico para lá. Bem, acho que é isso meus amigos(as). Nos encontramos na sala escura e no meu novo Blog. Obrigado por ler. Beijos, beijos, beijos. E viva o CINEMA!!!

Roger T.

NOVO BLOG - www.cinem-adicto.blogspot.com (use sem moderação)

32° MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO

Foi dada a largada cinéfilos de Sampa City. As duas semanas mais aguardas por todos nós começa hoje. Será uma verdadeira maratona de noites mal dormidas e refeições esporádicas. Todo sacrifício é válido para mergulhar fundo neste universo de fantasia que os próximos dias nos proporcionarão. Já garantiu seu passaporte da alegria? Então corra e deleite-se!!!

Ontem fui buscar na Central da Mostra meus primeiros ingressos e não vejo a hora de começar a maratona. Viva a Mostra!!! Te vejo na sala escura. Minha programação para os próximos dias é:

Dia 18/10 - Sábado

- Bolo de Bota

- O Canto dos Pássaros

- Off all the Things

Dia 19/10  - Domingo

- Estranhos

- Tony Manero

- Alexandra

Dia 20/10 - Segunda-Feira

- Sonata de Tóquio

- A Fronteira da Alvorada

Vamos ver o que me aguarda.

Roger T.

LINHA DE PASSE

BRASIL, 2008

DIREÇÃO: WALTER SALLES E DANIELA THOMAS

Taí mais um belo trabalho desta dupla muito talentosa de diretores. Com certeza, "Linha de Passe" estará nas listas dos melhores filmes nacionais de 2008.

Sandra Corveloni, vencedora do prêmio de melhor atriz em Cannes interpreta Cleuza, doméstica e mãe viúva de 4 rebentos. Três jovens e uma criança muito bem interpretada pela revelação mirim Kaique Jesus. Temos ainda Vinicius de Oliveira, o Josué de "Central do Brasil", bem grandinho no papel de Dario, personagem que pretende ser jogador de futebol mas não consegue passar nas peneiras por já ter 18 anos, idade considerada avançada para a entrada de um atleta nos clubes. Temos ainda, Dinho, o frentista evangélico e Dênis, o motoboy sem personalidade. Reginaldo, o pequeno interpretado por Kaique, é o único dos irmãos que possue um pai diferente, fruto de uma relação que Cleuza não guarda boas lembranças, logo, Reginaldo não faz idéia de quem seja ou quem foi seu progenitor e vive questionando a mãe sobre o mesmo. Cleuza por sua vez, trabalha de doméstica e cria os filhos sozinha. Está longe de ser a mãe perfeita, mas traz em seu rosto sofrido, as amarguras enfrentadas no decorrer de sua vida.

Walter e Daniela conseguiram captar como ninguém através de sua lente a essência da "paulicéia desvairada". Um outro lado que parece sempre caminhar à margem da realidade, uma realidade que não interessa para a classe média alta paulistana. Ou me diga: O que você sabe da pessoa que vai toda semana limpar sua casa além de seu nome? É verdade, preferimos não nos envolver muito. Walter e Daniela nos proporcionam um retrato fidedigno desta faceta ignorada por nós que temos a oportunidade de destinarmos um pouco de nossa renda para diversão. Isto fica bem claro quando o filho da patroa de Cleuza convida Dario para jogar pelo seu time do condomínio em que vive. As diferenças extremas e os objetivos totalmente opostos são muito bem apresentados ao público.

Trata-se do perfil de 5 vidas que fazem parte do nosso cotidiano mas que sempre caminham à margem do desprezo. Quando Dario recebe mais uma recusa em uma das tantas peneiras que participou e vê-se desolado no centro da cidade observando vagas de empregos. Estaria decretado o fim de seu sonho? E Dinho, o personagem que virou evangélico e tenta ser um bom rapaz, mas que vê todo seu sacrifício e devoção questionados quando é tratado como marginal. Dênis, o motoboy, rapaz inconsequente que tenta fazer tudo da melhor maneira para agradar as pessoas que o circundam, mas talvez por falta de orientação sempre escolhe o caminho errado. E o pequeno Reginaldo que fantasia no motorista do ônibus de todo dia o que poderia ser o seu pai. E no centro de todas essas vidas sofridas e maltratadas está Cleuza, a mais amargurada de todas. Uma mulher forte, decidida e muito correta. Tão correta que chega a cometer injustiças com os próprios filhos com medo de que enveredem por um caminho errôneo.

Lembra quando você era mais jovem e voltava para casa da balada já com o dia amanhecendo? No caminho de volta você avistava várias pessoas indo trabalhar enquanto você estava indo dormir, depois de gastar em uma noite o que eles levam uma semana para ganhar? Pois bem, "Linha de Passe" nos apresenta a realidade destas pessoas. A realidade da pessoa que está ao mesmo tempo tão longe e tão perto de você. Cleuzas e Almerindas existem aos milhares e tudo que elas querem é deixar um bom legado para suas crias e evitar que elas optem pelo caminho errado. Na vida que levam, um fio tênue separa esta escolha. Não existe muita opção para eles. Vai depender do caráter de quem os criou.

Jovens em busca de seus sonhos, de uma vida digna, mas que por crueldade da realidade em que vivem, perguntam-se a todo momento se vale à pena ser bonzinho neste Brasil sem escrúpulos.

E após tanta injustiça, realidade e sofrimento, o fim escapista não poderia ter sido melhor. Deixar o menino Reginaldo dirigir um ônibus pelas ruas de São Paulo foi uma idéia brilhante para tentar neutralizar a dureza do dia-a-dia e ficarmos com aquele tiquinho de esperanças de que nem tudo está perdido.

Direção imponente, atores no ápice da interpretação e um roteiro muito bem costurado, fazem de "Linha de Passe" uma das melhores surpresas dos lançamentos nacionais de 2008. Ótimo!

Roger T.

    

SHORTBUS

 EUA, 2006

 DIREÇÃO: JOHN CAMERON MITCHELL

 Podemos descrever este filme como um " SURUBÃO CULTURAL" contra a depressão de seus personagens. Em Nova Iorque, (onde mais poderia) pessoas se reúnem em um inferninho chamado "Shortbus" para se liberarem de todos seus pudores através de saraus com poesia, cinema, música e muito sexo. Imagina o elenco de "Hair" trepando como naquela famosa cena do polêmico "CALÍIIIIGULA". Esta frase resume boa parte do filme. O resto é enrolação pra mostrar a libertinagem do diretor. É mulher com mulher, mulher com homem, homem com homem, mulher com travesti, masturbações bizarras, vixi, um verdadeiro circo da putaria hahaha, um por todos e todos por um!!!

 Sexo no cinema nunca foi novidade. Nú frontal masculino tampouco. Posso citar aqui vários filmes, mas lembro de um em especial, aliás, o filme que deu origem à este blog. "9 Songs". Este filme conta a história de amor entre um casal. Até aí nada mais comum. A única diferença é que o sexo filmado é praticamente explícito, praticamente não, é explícito. O filme é o casal transando e o casal em shows de bandas como "Primal Screen" e "Franz Ferdinand", daí o nome "9 Canções". Mas o jeito como é filmado com o acréscimo da música, torna-se algo delicado e até poético. Tem ainda a famosa cena da manteiga com Marlon Brando em "O Último Tango em Paris". Enfim, só escrevo tudo isso, para dizer que nada mais choca. Se o sexo fosse necessário para a trama, se a exposição de falos gozando à rodo fosse essencial para o desenvolvimento do roteiro, maravilha, sem problemas. Mas aqui o diretor faz o contrário. Utiliza-se dos dilemas mais clichês da sociedade moderna, criando uma trama fraca apenas para mostrar seu bacanal de luxo.

 Uma das poucas coisas que se salvam neste filme são os personagens. Uma Dominatrix deprimida porque nunca conseguiu uma relação séria. Uma terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo. O casal homo em crise. O voyeur psicopata e por aí vai. Trata-se de um prato cheio para desenvolver um belo roteiro. No entanto, a única coisa que eles fazem, é trepar.

 Por favor, não me entenda mal. Não é questão de moralismo. Longe disso, credo, saravá! Mas fica evidente que o importante aqui não é o cinema. Tipo, vamos inventar um historinha básica com atores bonitinhos e uma fotografia legal e mudérrna que já ta bom. E dá-lhe sexo! Vamos chocar, criar polêmica e algazarra! Devem ter pensado os produtores. PORRA, um filme que mostra um cara tentando chupar o próprio pau e não contente mostra o mesmo cara gozando na própria boca e ainda não satisfeito, o  mesmo cara esta filmando tudo para seu filme de amor que ele está preparando para o namorado que ele não ama mais!!??! É óoooobvio que uma cena bizarra destas vai gerar publicidade e burburinho, ainda mais quando gratuita. E toda essa bizarrice fez com que este filme tivesse sessões lotadas na última Mostra de São Paulo, que aliás, eu amo e já vai começar. Mas confesso que alguns dos piores filmes que conferi na minha vida, foram presentes da Mostra. Sempre tem alguma bomba, vamos ver as deste ano hehehe. Voltando ao assunto, mais da metade de suas cenas de sexo explícito são desnecessárias. Não acrescentam nada.

 Um filme desnessário que nunca teve grandes pretensões a não ser criar polêmica. E pior que nem isso eles conseguiram. Não odiei o filme não. Meu sentimento é pior: - O de total descaso. Que perda de tempo... rs.

 Roger T.

          

 

UNIVERSO UMBIGO

 

Com: CIA Fractais e Karnak

Roteiro e direção: Marcelo Castro e André Abujanra

Assim que tomei conhecimento da nova empreitada do Karnak fiquei excitadíssimo e sabia que tratava-se de algo impedível para quem vem acompanhando o grupo no decorrer dos últimos ... 15 anos pelo menos? Quer dizer, antes de ser fã do Karnak, já acompanhava o trabalho de André com o Maurício Pereira no saudoso "Mulheres Negras". Sem contar seu pai, o velho Abu que também admiro bastante, ou seja, o talento está no dna da família.

Se fosse somente um show do Karnak já valeria a pena conferir, agora, Karnak ilustrado pelo grupo Fractais, parecia algo perfeito demais. A música universal do Karnak combina muito com o universo do circo, eles mesmos, os integrantes, são todos palhaços. O André quando encarna seus personagens falando uma língua que parece la da Sbórnia é comédia pura. O baixinho e toca muito Hugo Hori, o cabelinho ... São todos seres humanos que beiram a genialidade.

Se o show deles não fosse tão bom, confesso que sairia desapontado. A participação do Fractais é totalmente desnecessária, quer dizer, não acrescenta nada. Os números circenses são básicos demais. As coreografias ... bem, se eles fossem dançarinos não estariam no circo não é mesmo e as poucas partes em que se exige um mínimo de interpretação dramática, também são bem fraquinhos.

A interatividade com o público também está presente, aliás, parece que é moda fazer o povo pagar mico. E lá vai todo mundo para o palco dançar e sacolejar.
Mas quer saber, o Karnak por si só é tão bom que você nem se preocupa com o resto. Adoro circo, mas eu acho que eles perderam uma ótima oportunidade de fazer algo mais elaborado para acompanhar a genialidade da trupe de André.

Vale muito a pena pelo Karnak. A novidade Fractais no espetáculo, faz com que não seja somente um show de música e consequentemente, a platéia tenha que ficar sentada, afinal, tudo acontece no Teatro, mas na minha modesta opinião, seria muito melhor deixar o circo de lado e realizar um show nos moldes tradicionais onde poderíamos dançar à vontade, uma vez que a tentativa de acrescentar estímulos visuais por parte dos Fractais não funcionou muito bem. Mesmo assim vale muito a pena. Vida longa ao Karnak e lembre-se: - "ALMA NÃO TEM COR".

Roger T.

       

FUERZABRUTA

 

Concepção: Diqui James e Gaby Kerpel

Direção: Diqui James

Direção Musical: Gaby Perkel

Dos mesmos criadores do sensacional "De La Guarda", aterrisa em Sampa City "Fuerzabruta", a mais nova viagem de nossos hermanos argentinos que sabem entreter a platéia como ninguém.

Pode ter certeza de que tudo o que você presenciará será inédito. Seus espetáculos mexem com todos os sentidos do ser humano. É realmente uma loucuuuura jejeje (risada virtual em espanhol).

A começar pela excelente estrutura montada no Parque Villa Lobos, que aliás diga-se de passagem, já mostrou-se um excelente espaço para estes eventos. O local é isolado, enorme e ainda conta com um belo estacionamento gratuito. A tenda armada pela trupe argentina conta com 3 lounges ( 1 ao ar livre) e 1 bar central, além dos restaurantes "Piolá" e "Shimo" para os esfomeados. Nota 10 para a produça!

O espetáculo dura cerca de 70 minutos e durante todo este tempo a platéia permanece em pé e andando de um lado para o outro. Isso mesmo, o trabalho sensorial do grupo é apresentado logo de início. Você nunca sabe de onde virá o próximo cenário e atração. Será do alto? Da frente? Monitores indicam o caminho a ser percorrido.

O show começa com um rapaz correndo frenéticamente em um tipo de esteira contra todas as interpéries produzidas artificialmente como vento, chuva e sujeira. Está instalado o caos e é isso que os hermanos querem proporcionar a platéia. Um espetáculo diferente e orgânico que desperte todos os sentidos do ser humano. O show é uma balada. Em dado momento os integrantes da trupe descem para interagir com a platéia e fazem todos dançar e pular loucamente com um DJ borrifando água para quem quiser dar uma refrescada. Aliás, dizem que você pode sair sujo e molhado; besteira. Sujo, quer dizer, com alguns pedaços de isopor grudados pelo corpo e o banho é totalmente opcional. Para quem estiver com calor ou dominado pelo espírito do espetáculo pode se enfiar embaixo da cachoeira que deságua em certo momento do show.

A parte mais surreal é quando uma piscina desce até sua cabeça e nela as moças da trupe fazem coreografias sob a água. LOUCO! Você pode tocar o cenário (com cuidado é claro) e interagir com as performers que dão saltos incríveis.

É difícil transmitir os sentimentos provocados por "Fuerzabruta", você tem que conferir com seus próprios sentidos. Mas tenha certeza de uma coisa: É muito bom e diferente de tudo que você já presenciou, a não ser que você tenha visto "De La Guarda". Impossível alguém não curtir e não se divertir, quer dizer, nada é impossível né, mas garanto que pelo menos 90% das pessoas saem pedindo bis. Uma experiência sensorial indescritiva. Divertidissíma e maravilhosa. Você sai de alma lavada. Literalmente se esta for a sua vontade. DUCARAIO!!!

Roger T.

        

ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO

BRASIL, 2008

DIREÇÃO: JOSÉ MOJICA MARINS

Na minha época de faculdade, lá pelos idos de 2000, realizei um trabalho sobre o Cinema Trash, nacional e internacional, e claro, Zé do Caixão não poderia ficar de fora. Vi todos seus filmes na época, além de visitá-lo em seu QG no Ipiranga, onde fui muito bem recebido. O homem é uma lenda e como acontece bastante com alguns de nossos talentos, muito mais reconhecido no exterior do que em seu próprio país. Lá fora ele é o famoso "Coffin Joe", com direito a caixa com sua filmografia completa em forma de ... caixão é claro.

Após 40 anos!!!!, pois é, o Cinema no Brasil funciona assim, Zé do Caixão consegue concluir sua trilogia sobre a procura da mulher que irá gerar o seu filho perfeito. Desta vez Zé teve toda a estrutura disponível para realizar um Trash Chic. Produzido pela "Olhos de Cão" e pelos extremamente profissionais irmãos Gullane, Zé do Caixão teve a sua disposição o que há de melhor e mais moderno atualmente para encerrar sua triologia.

O roteiro é ótimo para o gênero. A produção impecável. Os atores principais estão excelentes. As participações de Jece Valadão e Adriano Stuart são impagáveis, afinal, um bom trash necessariamente está na fronteira com a comédia, o famoso "TERRIR". A participação de Milhem Cortaz como o padre que o persegue também é muito boa, aliás, impossível não se lembrar do padre do chocho " Código Da Vinci" que se auto-flagelava, guardada as devidas proporções claro, pois o padre de Milhem é muito melhor. Junte a tudo isso, belas mulheres que rodeiam o homem da cartola preta, seus servos super caricatos, muito sangue cenográfico e uma produção de arte impecável. Pra completar, José Mojica após 40 anos, é um ator muito melhor e nem seus erros de português aparecem na película. Impossível não deleitar-se com seus olhos esbugalhados ao ter visões do além. Muito Bom.

A última coisa que você sentirá ao ver este filme é medo. Talvez você sinta um pouco de nojo, mas no geral, o filme é muito agrádável de se acompanhar, acredite. Eu sai do cinema imaginando como uma série inspirada nas sandices de Zé do Caixão faria sucesso. Imagino um programa, de uma hora de duração, para passar toda sexta à meia-noite. O universo deste homem é infinito. Seus personagens excelentes. As ciganas, o padre louco, os servos, os policiais, o zelador do Limbo na pele do outro doido José Celso Martinez Corrêa, as lindas mulheres e sangue, muito sangue. Para complementar, uma trilha sonora com "Sepultura", "Rob Zombie", "Ozzy", putz, se eu fosse adolescente iria adorar ... Pra falar a verdade, mesmo com 30 eu adoraria hahaha. Gastaram dinheiro para fazer aquela produção tosca da Tiazinha heroína na Band e nossos verdadeiros mestres, à deriva, esperando uma oportunidade.

O cinema de Zé do Caixão pode não ser cabeça, tampouco requintado, mas é feito com paixão e fibra!!! Aliás, esse homem é um guerreiro. Nunca esperou ajuda de ninguém para fazer seus filmes. Conseguir terminar sua trilogia 40 anos após o último filme é um ato de heroísmo. Ele passou por cima de todas as barreiras ridículas que nossa sociedade tupiniquim impõe. Primeiro, ele faz cinema. Segundo, sempre foi taxado de brega e louco. Terceiro, já passou dos 70. Para uma sociedade onde pessoas de 40, 50 são consideradas velhas para produzirem, Zé do Caixão mostrou mais uma vez porque é tão celebrado no exterior e mandou uma bela banana para os críticos que se acham acima do bem e do mal neste país.

O filme diverte e entretêm. Tem uma produção excepcional, produção esta que Mojica nunca teve em suas mãos e ainda foi convidado para ser exibido no "Festival de Veneza", onde foi muito bem recebido. Pasmem pequenos burgueses intelectuais filosóficos. O homem da Cartola, humilde, que fala "púbrico", chegou lá e deixou sua marca para sempre no nosso cinema, queiram vocês ... ou não. Vida longa à Zé do Caixão, este sim, um verdadeiro apaixonado pelo que faz, um guerreiro do cinema nacional!!!

Roger T.

             

 

NOME PRÓPRIO

BRASIL, 2007

DIREÇÃO: MURILO SALLES

Estava muito curioso para conferir este filme, mais pela atriz que admiro desde seu trabalho em " A Ostra e o Vento " do que pelo tema em si.

"Nome Próprio" conta a história de Camila, uma jovem caótica que vêm para São Paulo em busca de seus sonhos como tantos outros emigrantes. Blogueira ativa, ela tem como principal meta escrever um livro que é adiado a todo momento. No entanto, seu Blog é atualizado constantemente divagando sobre seu dia-a-dia, suas paixões frustradas, traições, crenças e a paixão pela poesia. Enfim, um tema mais que atual em tempos de web 2.0 e a exposição deliberada proporcionada pela Internet.

O filme que se passa em São Paulo, nos apresenta a história daquela que poderia muito bem ser sua melhor amiga. Todos conhecemos ou já nos deparamos com alguma "Camila", quero dizer, uma personagem muito comum na nossa paulicéia desvairada. É muito legal ver sua cidade natal na tela, principalmente quando suas locações fazem parte de seu cotidiano.

Recentemente estive visitando alguns apartamentos na região oeste, mais precisamente em Perdizes e pude conferir vários similares as  moradias de Camila. Muitos de meus amigos moram na região e claramente a Camila poderia ser nossa vizinha, além de frequentar lugares em comum. O velho "Filial", bar na Vila Madalena aparece no filme. O "Milo Garage", a " Casa Belfiore", ou o popular "CB" se preferir também estão lá. Ela aparece até curtindo, mais ou menos, um jogo do verdão em pleno "Palestra Itália". Poxa, ela tá na minha quebrada rs.

Esta proximidade com o público causa certa simpatia, mas o filme não decola. Ponto para sua experimentação, o resgate da poesia pelo Blog da personagem e o retrato de uma geração constantemente on-line. As referência literárias não poderiam faltar em tratando-se de uma personagem aspirante à escritora. E dá-lhe Leminski e Bukowski.

Camila é auto-destruidora por natureza. Ela não consegue ser feliz 100%. Quando tudo parece bem, ela apronta ou aprontam para ela. Vive tomando anfetamina pra ficar ligadona, aliás, sua dieta baseia-se em anfetamina, cerveja e cigarro. Muitos cigarros. Ela procura o caos e quando não procura, o atrai. Se apaixona pelos caras errados e possue uma enorme vocação para o sofrimento, o que já é meio caminho andado para se dar bem no mundo das letras.

Conheci algumas Camilas na minha vida, sem dever nada à personagem de Leandra Leal. Na verdade, elas são muito carentes. Querem amar e serem amadas, um relacionamento estável, mas basta uma faísca para pegarem fogo e colocarem tudo à perder. Vivem por impulso e só medem as consequências depois que a cagada está feita. São daquelas pessoas que vivem minuto após minuto, não que eu descorde. Para mim, o que ficou para trás não volta e eu quero mais é viver meu presente, sem vislumbrar o futuro, mas tudo tem sua medida certa e cabe a você, designar a dose. Camila é 8 80, e assim vai tocando sua vida caótica, o que com certeza, lhe renderá um belo livro. Muito melhor que o roteiro deste filme.

Como já esperava, o filme é 100% Leandra Leal e este lhe proporcionou a oportunidade de explorar todo seu talento dramático. Por ela, vale muito. Pelo filme em si ... Acho que não. Mesmo porque, essa história, muitos de nós já presenciamos pessoalmente, seja através de uma amiga ou de uma namorada. Infelizmente, nada de novo em um filme que aborda um universo tão recente. Mas vale para conferir uma atriz no seu ápice interpretativo, mesmo que o roteiro não colabore.

Roger T.

           

 

 

LEMON TREE

ISRAEL/ALEMANHA/FRANÇA, 2008

DIREÇÃO: ERAN RIKLIS

Mais um filme que disseca a eterna guerra santa entre Palestina e Israel, só que o foco de "Lemon Tree" não está na guerra em si, mas em seus efeitos nas pessoas que convivem com ela diariamente, sob o ponto de vista dos dois lados.

A ótima Hiam Abbass, uma das protagonistas de "Free Zone" ao lado da princesa Léa Natalie Portman, faz o papel de uma viúva palestina que tira seu sustento de um pomar de limoeiros. Um belo dia o ministro da Defesa de Israel resolve mudar-se para o outro lado da linha que separa os dois países, vivendo na fronteira ao lado de seus belos e suculentos limões. O que ela não esperava era que seu pomar viraria questão de segurança pública, ou para ser mais preciso, seu pomar representasse uma ameaça para a segurança do ministro. O que fazer? Colocá-los para baixo oras. Simples assim! Uma demonstração de força do fascismo israelita. Mas o que o ministro não esperava, era que aquela sua vizinha fosse dar tanto trabalho por causa de alguns pés de limão. E ela deu muito trabalho e recorreu à Suprema Corte para manter seus sustento, herança de seu falecido pai.

Esta corajosa mulher não está sozinha, e seu jovem advogado compra a briga independente de suas consequências. Talvez porque ele estivesse "encantado" pela viúva, muito mais do que pela causa ou ideologia. Os dois personagens envolvem-se em um romance silencioso, onde as trocas de olhares entregam a atração mútua. Um breve momento, belo e delicado, rompido pela cobrança de amigos de seu falecido, demonstrando o machismo imperante naquela sociedade. Ela ouve, não diz uma palavra e respeita, mas deixa bem claro em seu olhar, que não segue tais mandamentos.

O que podemos perceber, é que os dois lados, palestinos e israelenses não entendem o porque de tanto ódio. O ministro diz à esposa que não dá pra mudar o que existe há 3000 anos e ela responde que muitas vezes seu país resolve as coisas com ignorância. A viúva não está preocupada com seu vizinho e sim com seu pomar. O guarda que protege a residência do ministro, demonstra a total imposição do Estado para com seus jovens, que apenas cumprem ordens e assim, vidas são desperdiçadas. O que dá à entender, é que essa guerra durará mais 3000 anos simplesmente pelo fato de ser algo histórico, uma herança mal resolvida de seus antepassados que se eternizará. Por quê? Nem eles sabem, quer dizer, sabem, mas não entendem, quer dizer, entendem, mas não compreendem. Não existe espírito olímpico que una essas nações. Triste. Muito triste!

Roger T.

       

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS

EUA, 2008

DIREÇÃO: CHRISTOPHER NOLAN

É tudo verdade! Tudo o que você ouviu falar do tão aguardado "Cavaleiro das Trevas", não é mera babação pela publicidade que a morte de Heath Ledger proporcionou à película. É a mais pura realidade.

O Batman de Christian Bale nasceu com a proposta de renovar a franquia e trazer o personagem para mais perto de suas origens e reais características. Um Batman que é gente como a gente, a não ser pelo fato de ser milionário e poder usar sua fortuna para adquirir as famosas traquitanas desenvolvidas pelo personagem de Morgan Freeman.

"Batman Begins" foi um bom recomeço, e "The Dark Knight" chegou para entrar para a história do Cinema como o melhor filme que a franquia do Homem-Morcego já produziu.

Neste mais recente filme, Batman está cansado. Quer passar o bastão e acha que encontrou o substituto ideal na pele de Harvey Dent, o poderoso homem da lei que colocou praticamente todos os gangstêres de Gotham City atrás das grades menos um: HAHAHAHA, why so serious??!!!!

O Coringa de Heath Ledger é algo de espetacular. Esquizofrênico, pertubado e imperador do caos. Pra ele não interessa o dinheiro, ele quer ver o circo pegar fogo, e tudo que faz, faz pelo prazer de satisfazer sua mente doentia. A maquiagem borrada, os trejeitos perfeitos, a voz, os tiques ... Está tudo lá. Todos estes elementos somados à interpretação magistral de Heath Ledger, fazem deste Coringa, Jack Nicholson que me perdoe, o Coringa definitivo. Com certeza, este é o filme do Coringa, mas a adaptação traz muito mais.

O personagem Harvey Dent é excelente! (Duas caras vêm aí). O homem em que Gotham pode confiar e o melhor de tudo, é que ele não precisa se manter na escuridão ao contrário do Cavaleiro das Trevas. Seu único defeito é ter roubado justamente a única mulher que tocou o coração do herói solitário. Mas isso só serve para aumentar a tensão do roteiro e ajudar o Coringa a chegar mais perto de seus objetivos. Aliás, ele consegue quase tudo que quer. Só fica faltando mesmo, passar o Batman para o lado negro, já que ele não consegue matá-lo. Mas ele consegue levar Harvey Dent, o homem acima de qualquer suspeita. Como? Lembra daquela mulher que falei no início do parágrafo? Pois é.

Se não bastasse, o filme conta com um elenco de apoio que mais parece o planetário do ibirapuera. Michael Caine, Morgan Freeman, já citado, Gary Oldman, Aaron Eckhart e Maggie Gyllenhaal. Precisa mais? Precisa! A direção de arte é excelente! Figurinos, cenografia, maquiagem... Tudo perfeito e na medida certa. As atuações .... ótimas e sensacional no caso de Heath. Direção precisa e um roteiro ... simplesmente a melhor adaptação que uma HQ já recebeu com toda certeza. Um filme de quadrinhos para adultos.

Pra não dizer que o filme é perfeito, somente uma coisa não me agradou: a voz extremamente grave e rouca do Batman, parece em alguns momentos forçada. Mas pra falar a verdade, depois de alguns minutos já tinha até esquecido deste detalhe e mergulhado de cabeça nas pertubadas mentes do Homem-Morcego e do insano Coringa. Faça o mesmo você também. Se você não é fã de quadrinhos, vai gostar. E se você é, meu amigo, vai se esbaldar!!! FILMAÇO! O melhor Batman de todos. Vai ser difícil superá-lo. Heath Ledger entra pra história. Que os Deuses do Cinema lhe protejam.

Roger T.

     

 

O SEGREDO DO GRÃO

FRANÇA, 2007

DIREÇÃO: ABDELLATIF KECHICHE

A França sempre foi um dos centros do cinema europeu e sua produção recente demonstra que nenhum outro país do velho continente anda fazendo cinema tão bem como eles. " O Segredo do Grão " chega para confirmar a atual fase como um dos melhores do ano de 2007.

O diretor tunisiano nos apresenta um mosaico familiar reunido em torno da hora sagrada da refeição. O filme tece sobre a vida dos imigrantes de origem árabe na França e sua difícil rotina para serem aceitos em um país estranho. Um velho pai de família representa o sofrimento de toda uma comunidade. Após dedicar sua vida pela empresa em que trabalha, é despedido de maneira humilhante. Separado, encontra-se desolado por não poder ajudar e ainda depender dos familiares e da ex-mulher. Familiares estes que mesmo após sua saída de casa, nunca deixaram de lhe dar carinho e atenção.

O grande protagonista é o delicioso cuscuz que dá nome ao filme. Em torno de seu preparo e degustação, acontecem os diálogos filmados na íntegra pelo diretor. Pessoas falam mal uma das outras, fofocam, brigam e se amam. O povo nativo, vide franceses, são apresentados como os vilões da história, destilando todo seu preconceito para com os estrangeiros. Existe ainda o preconceito entre os próprios imigrantes, mas de origem distintas, como é o caso da esposa russa de um dos filhos do velho que luta para ser respeitada dentro desta família.

Este velho homem tem o sonho de abrir um restaurante em um barco abandonado e com a ajuda de sua família, da antiga ( ex-mulher inclusa) e da nova, por alguns momentos ele sente-se realizado. Mas a realidade é dura e o diretor não tem dó alguma em retratá-la, fazendo com o que o final (uma clara referência ao filme " Ladrões de Bicicleta ") deste homem não seja dos mais felizes.

Apesar dos 151 minutos, o filme corre fácil e nem percebe-se o tempo. O roteiro é excelente. Os atores em sua grande maioria amadores, fazem com que o filme chegue próximo da perfeição com seus diálogos longos, verdadeiros e muitas vezes improvisados. A bela atriz que faz o papel da enteada do velho, rouba a cena com uma interpretação que lhe rendeu o prêmio de atriz revelação em Veneza. A direção é maravilhosa e a última meia hora do filme é de tirar o folêgo, com direito a dança do ventre mais emblemática de todos os tempos embalada por uma música hipnotizante e uma conclusão forte, seca e vibrante, que faz com que você não queira sair da poltrona apesar de já estar sentado a quase 3 horas.

O preconceito constante no ar, a inveja, a união e a superação. A glória e a queda. Tudo isso apresentado da maneira mais verdadeira possível, fazem com que " O Segredo do Grão " entre na lista dos grandes filmes do último ano. Talvez você ache que o final seja um pouco forçado, assim como eu achei na hora, mas algum tempo depois conclui que era aquilo mesmo que Abdellatif deveria ter feito. Para a grande maioria dos imigrantes que vivem nos subúrbios da Europa atual, o sonho não dura mais de que uma hora. Cinema de gente grande!

Roger T.

           

 

WALL-E

EUA, 2008

DIREÇÃO: ANDREW STANTON

Sou fã de carteirinha de animações. Desde as clássicas, com traços rústicos até as mais modernas. E eu sei que muita gente na minha idade também é apaixonada por estes desenhos que mantém viva dentro de nós, a eterna criança.

O melhor negócio que a Disney fez nos últimos tempos foi adquirir a Pixar. Amo as clássicas animações da Disney, mas nos últimos tempos, elas vinham perdendo audiência para as animações mais modernas realizadas com nova tecnologia. A Pixar por sua vez, já nasceu estrela. Impossível não se apaixonar por seus personagens. Desde o maravilhoso " Toy Story ", passando por " Procurando Nemo" e chegando ao mais recente " Wall-E ", na minha humilde opinião, todos seus trabalhos são excelentes e inovadores.

" Wall-E " é um desenho lúdico, romântico mesmo, mas com uma crítica muito direta. Além de divertir, ele instrui, e este casamento para uma animação, não é muito comum. " Wall-E " é o nome do robôzinho protagonista da trama. Sua função é limpar todo o lixo da Terra, função esta que ele começou a exercer à 700 anos atrás, quando a Terra ainda era habitada. Passado tanto tempo, ele ainda faz seu trabalho e vive só na companhia de uma simpática baratinha. Certo dia, a Terra recebe a visita de uma robô super moderna, que tem a função de procurar rastros de vida. Como já disse, a Terra encontra-se inabitável à séculos. Ocorre então o grande encontro dos dois robôs, o moderno e o obsoleto, que proporciona uma história de amor das mais memoráveis da animação, isso mesmo, do nível de " A Dama e o Vagabundo ", um clássico Disney.

A primeira parte do filme praticamente não tem diálogos e é incrível como os animadores da Pixar conseguem colocar tamanha expressão em um personagem robô que nem boca tem!!! A segunda parte, quando aparecem os humanos, é uma tremenda crítica a sociedade de consumo atual e uma profecia muito cruel do que pode vir a acontecer com a humanidade. Cruel, mas totalmente consciente. Como a vida na Terra não é possível, o filme mostra os humanos vivendo enclausurados em uma espécie de eterno cruzeiro espacial, onde todos são extremamente obesos e fazem tudo com o auxílio de robôs. Estes humanos não sabem o que significa amor, sociabilidade, e tampouco imaginam que podem andar e fazer as coisas por conta própria. Transformou-se em um sociedade vazia e sem alma. Alma esta, que " Wall-E " tem de sobra. Como assim? Isso mesmo, além da ácida crítica aos tempos modernos, a animação faz claras homenagens a clássicos da ficção científica como " 2001, O Ano em que Faremos Contato" e " Blade Runner ". As máquinas no poder e a habilidade de sentir emoção. Homenagem justissíma a estes clássicos proféticos.

Enfim, além de emocionar, " Wall-E " ainda instrui e alerta. Um dos melhores trabalhos da Pixar com certeza. Ainda dá tempo de deixar um planeta melhor para nossos herdeiros. Pequenas ações geram grandes resultados. Você já pensou o que você pode fazer para ajudar seu planeta? Evitar imprimir coisas desnecessárias já é um belo ato. Desligar a torneira enquanto escova os dentes ou levar sua sacolinha para as compras. São pequenos atos que farão você se sentir melhor. O lixo é a desgraça do mundo. Faça sua parte. O planeta agradece. Não é discurso de ecochato, é uma realidade que veio para ficar. Wall-E e Eva ficarão muito felizes se pudermos poupá-los do trabalho de limpar o Universo.

Roger T.

       

O CRÍTICO SOU EU COMEMORA 3 ANOS!!!

Pois é caros leitores. Nosso Blog comemorou ontem mais um dia de vida. Isso mesmo, 3 anos de vida. Para quem nos acompanha sabe que o Blog começou apenas com resenhas de cinema, e no último ano resolvi agregar outras formas de manifestações artísticas. Teatro, música e exposições ganharam seu merecido espaço no " Crítico ", afinal, a sétima arte também é um apanhado de tudo isso. Nosso maior foco ainda é e sempre será o Cinema, mas no " Crítico " há espaço para todos. O Blog começou minúsculo e hoje já posso dizer que ele é pequeno rsss. O que importa não é a quantidade e sim a qualidade de nossos leitores, e isso, eu sei que temos de sobra. Vamos crescendo aos poucos, mas com qualidade, afinal, podemos andar devagar, mas nunca para trás! O que importa, é a paixão pela sétima arte, e isso, nós temos de sobra. Quando digo nós, refiro-me a vocês caros leitores. Muito obrigado por proporcionar mais um ano para este humilde, mas apaixonado Blog. Espero alcançar mais 3 anos tendo vocês sempre ao nosso lado. Viva o Cinema! Viva a arte! Te vejo na sala escura. " O Crítico Sou Eu ", Cinema por quem vê!

Roger T.

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

EUA/FRANÇA, 2007

DIREÇÃO: JULIAN SCHNABEL

Diretor de " Basquiat " e " Antes que Anoiteça ", Julian Schnabel primeiramente recusou a direção de " O Escafandro e a Borboleta ". Não conseguia vislumbrar como poderia contar a história real de Jean-Dominique Bauby, que foi editor da revista " Elle " e sofreu um acidente cérebro-vascular aos 42 anos que paralisou totalmente seu corpo com excessão do olho esquerdo.

Tempos depois Julian resolveu encarar o desafio para deleite dos amantes da Sétima Arte. Desafio que lhe proporcionou o prêmio de melhor direção em Cannes.

Com a recusa de Johnny Depp para o papel principal, coube ao ótimo Mathieu Amalric, que está em cartaz também em " A Questão Humana ", assumir o posto de protagonista. Se fosse a primeira opção não teria sido tão bom. Mathieu assumiu o personagem com imponência. Mas você deve estar pensando: - Como a interpretação pode ser boa tendo um personagem estático preso à uma cadeira de rodas que não se mexe e tampouco fala? Se você conferir a convicção da interpretação de Mathieu entenderá meus elogios. Somente com algumas piscadas e um olho ele dá show. O elenco de apoio também é muito bom e conta com as coadjuvantes mais belas do cinema francês. Desde sua ex-mulher até a fisioterapeuta, passando pela última namorada e a fonoterapeuta, elas fazem com que a estada de Jean-Do no hospital esteja mais próxima do céu. Aliás, a presença de belas mulheres à sua volta, servem para transmitir ao público a agonia do personagem, que aos 42 anos, vê-se preso dentro de seu próprio corpo tendo que imaginar o prazer do toque feminino.

Antes do acidente Jean havia fechado um contrato para escrever um livro. Livro este que foi escrito com a ajuda da mulher mais paciente do mundo através do sistema de comunicação desenvolvido pela fonoterapeuta do hospital. Jean ditou todo o livro apenas piscando seu olho esquerdo. O livro que deu origem ao filme.

Apesar da dramaticidade do tema, o filme não explora este lado que poderia dar um bela novela mexicana. Durante várias passagens sentia as lágrimas nascerem, mas elas não chegavam a cair. Julian soube dosar muito bem a delicadeza do tema em película e transformou a história de Jean em poesia com uma linda fotografia. A trilha vai de Tom Waits à clássicos da música francesa passando por U2 e a direção dispensa comentários.

Escafandro é aquela roupa de mergulho antiga que mais parece uma armadura. Ela simboliza o corpo de Jean-Do. A borboleta remete a sua imaginação, que é a única forma de sair de seu enclausuramento. Guardada as devidas proporções, Escafandro lembra um pouco " Mar Adentro", o filme onde Javier Bardem interpreta um personagem que embora tenha o corpo todo paralisado, não perdeu a fala. As viagens proporcionadas pela imaginação de ambos os personagens são semelhantes, e em Escafandro, a imaginação de Jean-Do nos proporciona uma experiência audiovisual única. Destaque para os minutos iniciais do filme onde a câmera subjetiva nos coloca dentro do personagem.

Você anda reclamando à toa da vida? Então vá conhecer a história de Jean-Do. Você vai ver que sua vida não é tão ruim assim. Pelo contrário!

Roger T.

   

A FESTA DE ABIGAIU - TEATRO

 

De: Mike Leigh
Direção: Mauro Baptista Vedia
Com: Ester Laccava, Ana Andreatta, Eduardo Estrela, Fernanda Couto e Marcos Cesana

Escrita por Mike Leigh, diretor de " Segredos e Mentiras " e " Vera Drake ", " A Festa de Abigaiu " foi a vencedora do 10° Festival da Cultura Inglesa na categoria teatro adulto. O texto de 1970 foca nas mudanças sociais da Londres daquela década que afetaram principalmente a classe média; e critica de forma ácida o processo de americanização que começava a tomar a terra de Shakespeare.

A história se passa na casa de um casal que recebe a visita de alguns vizinhos(as), entre elas, a mãe de Abigaiu, a filha punk adolescente que dá nome à peça. Os cinco personagens parecem terem saído de um circo freak. Um mais bizarro que o outro e todos muito distintos. Tem o pseudo-intelectual, bom moço e corretor de imóveis que idolatra seu emprego estável das 10h às 18h. O casal psicopata que vai se soltando conforme a ingestão de álcool progride e por aí vai. Esta diversidade de personagens proporciona uma comédia deliciosa com uma pontinha de crítica as futilidades e valores duvidosos que a terra do Tio Sam começava a disseminar mundo afora.

De início é complicado aceitar a interpretação extremamente caricata de todos os personagens. Como eu já disse, eles realmente são bizarros. Mas com o passar do tempo, o trabalho dos atores vai se destacando e a peça fica extremamente fácil de ser acompanhada.

Um elenco extremamente seguro e afiado, com destaque para o excelente Marcos Cesana, que interpretou o garçom do filme " Chega de Saudade " e atualmente está na televisão na inovadora série " 9 MM ", primeira produção da Fox em terras tupiniquins. Ainda vamos ouvir muito seu nome. Um texto com pitadas de humor negro deliciosamente ambientado na Londres de 1970 sob a perspectiva da classe média britânica. Consequentemente a trilha vai muito bem obrigado com intérpretes que vão de Tom Jones à The Clash. Um cenário super simples mas muito bem feito e perfeccionista nos detalhes, como os sofás de couro e a vitrola. Enfim, um excelente entretenimento com ótimos atores e um texto inteligente.

A temporada no Procópio Ferreira já acabou, mas para seu deleite, a peça voltará em Agosto no Teatro Augusta. Não perca está chance de dar boas risadas, pois já dizia o palhaço filósofo dono de minhas manhãs na infância: - Rir, sempre rir, é o melhor que temos a fazer.

Roger T.

       

O SONHO DE CASSANDRA

 

EUA/INGLATERRA/FRANÇA, 2007

DIREÇÃO: WOODY ALLEN

Em termos de produção, os ares europeus vem fazendo muito bem à Woody Allen, afinal, ele já esta filmando seu 4° filme no velho continente  em um periodo de menos de 2 anos. Em compensação, a produção intensa não reflete na qualidade dos filmes.

Neste mais recente trabalho, Allen volta ao thriller psicológico iniciado com o ótimo “ Match Point “. “ Sonho de Cassandra “ conta a história de 2 irmãos interpretados por Ewan Macgregor e Collin Farrel, este último inclusive está muito bem no papel de irmão pertubado. Ponto para Allen que conseguiu mostrar um lado de Farrel que eu desconhecia, o de excelente ator. Confesso que não conheço muito seu trabalho, mas os poucos que conferi, foram no mínimo lamentáveis.

Dois irmãos no meio de seus 30 e poucos anos que não conseguiram realizar muita coisa na vida. Se o filme fosse americano, seriam os famosos “ losers “. Eles tem um tio muito bem sucedido, mas que para chegar ao topo pisou em muita gente e consequentemente, já dizia o ditado popular: o q vc planta , vc colhe. Este tio agora está em apuros e apela para os sobrinhos lhe ajudarem. Uma troca de favores? Afinal, qual o preço do sucesso? Esta é a grande chance dos dois de conseguirem algo de concreto para suas vidas e futuro. Ewan é o irmão racional e frio, que quer subir na vida a qualquer custo e impressionar sua nova namoradinha. Farrel já representa a parte da emoção, o cara sensível que não consegue dormir com peso na consciência. E assim, Allen vai tecendo sua trama. A tensão vai aumentando progressivamente até o desfecho final.

Comentou-se muito sobre o famoso final deste filme e quer saber: Eu sei que vc quer, mas não sou estraga prazer. A mim não agradou nem um pouco, e pela reação das poucas pessoas que estavam na sessão, parece que ninguém saiu muito satisfeito. Mas cinema é isso né, impossível agradar a todos. Mas desta vez Allen menosprezou seus fiéis seguidores. Achei o final previsível e fraco, além de ser pouquissimo trabalhado. Apesar de ser filmado em Londres, Allen quis um final francês para Cassandra e assim o fez. Somente conferindo para entender, mas quem é familiarizado com algumas das bizarrices do cinema francês, já imagina o que quero dizer. Não estou generalizando, amo o cinema francês, mas tem coisas que até mesmo o mais paciente e cabeça dos cinéfilos não consegue captar.

Para mim, o único mérito de Allen neste filme está na sua direção para com Colin Farrell, que realmente me surpreendeu como ator. Muito bom. Agora o resto ... Os diálogos que sempre caracterizaram a filmografia de Allen, são fracos, o roteiro idem, os atores estão bem, mas ... falta muito para ser um bom filme.

Ainda prefiro o Allen de “ Bananas “, “ Manhattan “ e “ Noivo neurotico, Noiva nervosa “. “ Match Point” é um excelente thriller, mas em “ Sonho de Cassandra “ , ele não contou com a mesma inspiração.

Roger T.

      

 
PRIMEIRO AMOR - TEATRO

Texto: Samuel Beckett
Interpretação: Marat Descartes (Prêmio Shell de Melhor Ator)
Direção: Georgette Fadel

Escrito por Samuel Beckett em 1945, o texto é encenado na íntegra, sem adaptações. Um texto que conta a história do primeiro amor de um homem que encontra-se de mal com a sociedade e o mundo. O humor cáustico de Beckett está bastante presente no texto. Pode – se dizer que o personagem é literalmente um escroto, um ser totalmente voltado para seu umbigo e que não consegue relacionar-se com nada nem ninguém. Ele sente-se abandonado e excluído, e este sentimento proporciona ao espectador uma atuação majestosa do ótimo Marat Descartes, de quem tornei-me fã, ao assitir a primeira montagem de “Aldeotas “, onde ele fazia o amigo de Gero Camilo.

O cenário resume-se a um banco, destes de praça. O jogo de luz é muito interessante e faz com que o espectador vá entrando aos poucos no universo de Beckett. O texto é triste e ácido ao mesmo tempo, desperta vários sentimentos como nojo, piedade por seu sofrimento e compaixão. A interpretação é de tirar o chapéu e o monólogo que poderia ser cansativo, passa despercebido. As várias facetas do amor, em um texto cruel, mas necessário. Marat levou o prêmio Shell por sua interpretação neste trabalho. Enfim, um programa imperdível que só nos faz engrandecer. E como já diria Beckett: - O amor não se encomenda ...

Roger T.

 
LUZ SILENCIOSA

 

MÉXICO/FRANÇA/HOLANDA, 2007

DIREÇÃO: CARLOS REYGADAS

Típico diretor de Festivais, Reygadas, que teve seus três filmes lançados em Cannes, mostra uma grande evolução como diretor neste seu terceiro trabalho que ganhou o prêmio do júri no mesmo. Seus dois primeiros filmes são, " Japon " e o desastroso " Batalha no Céu ".

" Luz Silenciosa " conta a história de Johan, pai de família com inúmeros filhos que vive em uma comunidade Menonita no México. A comunidade Menonita é muita fechada e possue um dialeto próximo do alemão muito peculiar. Seus integrantes levam uma vida voltada à religião e seguem à risca costumes que datam de centenas de anos. No entanto, aceitam alguns confortos da vida moderna como carros e energia elétrica.

O filme começa com uma das introduções mais lindas da atualidade cinematográfica. A câmera posicionada no horizonte, vai registrando o amanhecer em tempo real e a tal luz silenciosa se faz presente. Silenciosa e misteriosa. Quais os segredos que esta luz revelará ? Ao final do filme, Reygadas faz o contrário. A luz vai desaparecendo até chegar o anoitecer e as primeiras estrelas. Uma fotografia e principalmente, uma luz maravilhosa. A abertura e a conclusão do filme, servem de moldura para este belo trabalho de Reygadas.

Logo na cena inicial da família tomando o café da manhã, pode-se sentir o incomôdo de Johan à mesa, que quando encontra-se sozinho, debulha-se em lágrimas angustiantes. Logo depois, descobrimos que ele possue uma amante. Talvez pelo fato de a comunidade aceitar alguns aspectos da modernidade, ele tenha se aventurado em um caso extraconjugal, mas sua dor é terrível pela traição à esposa e as suas próprias convicções. Ta formado o triâgulo amoroso mais doloroso dos últimos tempos. Sua esposa sabe da amante e não suporta a pressão. A amante por sua vez, resolve acabar com a relação e eles fazem amor pela última vez, um amor frio, sem emoção, talvez próprio da comunidade. Ela termina com a frase: " A paz é mais confortável que o amor." Aliás, o filme está repleto de poucos, mas grande diálogos, como por exemplo quando Johan pede conselhos ao pai : - " Fale comigo como um pai e não como um Pastor !".

O filme é lento, mas é proposital, uma vez que os costumes menonitas se baseiam no século passado, não poderia ser diferente. A angústia de Johan, que é representado por um verdadeiro integrante da comunidade, é contagiante e o clímax chega com um castigo inesperado. Caímos no velho ditado de só valorizar as coisas quando as perdemos. Mas quem disse que a morte é eterna?

O filme de Reygadas foi muito bem pensado e cada minuto tem sua representação. Não existem vazios, apesar do ritmo lento. Eu sempre costumo dizer que não deve-se avaliar e julgar de imediato um filme que causa desconforto e estranheza. Um filme que faz você continuar pensando por dias após assisti-lo, é merecedor de elogios e o transe causado por " Luz Silenciosa " nos faz refletir a todo momento.

Difícil? Sim. Lento? Sim. Mas possuidor de uma Luz deslumbrante.

Roger T.

         

O ÚLTIMO BANDONEÓN

 

ARGENTINA, 2003

DIREÇÃO: ALEJANDRO SADERMAN

 Este filme foi paixão à primeira vista literalmente. Na Mostra de São Paulo do ano passado, eu tinha que fazer hora para ver à algum filme da noite e então resolvi conferir " O Último Bandoneón " simplesmente para fazer hora. Havia lido a sinopse e parecia ser interessante, enfim, um bom passatempo. A maior felicidade para um cinéfilo que frequenta a Mostra é descobrir um filme. Aquele que ninguém resenhou e não se faz idéia do que esperar. O documentário é apaixonante e guardada as devidas proporções, posso dizer que trata-se do " Buena Vista " argentino.

O documentário gira em torno da formação de uma Orquestra de Tango que será comandada pelo Maestro Rodolfo Mederos e uma jovem bandoneonista que é convocada para integrar a orquestra, porém, precisa de um novo instrumento. Na procura pelo instrumento ideal, ela conhece os grandes Maestros do Tango e os bailes da cidade.

Não trata da história do Tango, mas sim, do resgate desta arte pelos mais jovens, que é o caso da jovem protagonista e de sua perseverança para conseguir o instrumento apesar das adversidades como o fato de ser mãe solteira e a falta de dinheiro.

Tecnicamente está longe de ser um primor. A todo momento vemos o boom entrar em quadro e algumas câmeras, mas o roteiro é todo emoção. Costumo dizer que o roteiro é tudo e apoiei a greve dos mesmos em Hollywood. Concordo que o trabalho do roteirista deva ser muito mais valorizado, tamanha sua importância. Este documentário é o exemplo maior da importância do roteiro. O resto é consequência.

Para quem gosta de música, trata-se de um programa obrigatório. Você sai apaixonado pelos músicos e pela música. Maravilhado pelas reuniões semanais dos velhos bandoneonistas que se reunem pelo simples prazer de tocar este instrumento que como os próprios músicos dizem, possue vida própria, uma vez que ele " respira ". Encantado com o interesse dos jovens músicos da orquestra e com o bailar da velha geração de dançarinos.

Emoção à flor da pele. Yo quiero mi bandoneón ahora!!!

ps: bandoneón é um instrumento da família do acordeón, só que muito mais charmoso.

Roger T.

           

SEX AND THE CITY - O FILME

 

EUA, 2008

DIREÇÃO: MICHAEL PATRICK KING

Para quem já conhece a série não será novidade alguma, aliás, acredito que para ninguém será novidade, afinal, quem já não ouviu falar das 4 quarentonas de uma das séries mais bem sucedidas da televisão americana, um fenômeno globalizado? Não é preciso ter acompanhado a série para entrar no universo de Carrie e cia. O filme possue longos 150 minutos e resume bem  para quem não está familiarizado. A fórmula que deu certo é seguida à risca, a narração em off da protagonista, o universo feminino e a eterna perseguição do final feliz. Será que é desta vez que Mr. Big pára de enrolar Carrie e à leva para o altar??? Pois é, o desfecho desta história de amor é o apelo principal do filme para os que já acompanhavam a série. O sucesso de " O Diabo Veste Prada ", foi a chancela final para os produtores de " Sex and the City " apostarem em um filme exclusivamente feminino.

Miranda, a racional da turma passa por problemas no casamento. Charlote, a mocinha ingênua e meiga nunca esteve tão feliz, esposa e mãe. Samantha vive em L.A e sofre muito tentanto à todo custo manter-se fiel, será que ela consegue? E Carrie, bem, essa mais uma vez está nas mãos de Mr. Big, um dos únicos personagens masculinos que tem um pouco de destaque. Um ótimo acréscimo ao elenco é a presença de Jennifer Hudson, que levou o Oscar de atriz coadjuvante por " Dreamgirls " como assistente de Carrie. Apesar do pequeno papel, sua personagem é de importânica fundamental para o desfecho da trama.

As piadas continuam as mesmas. Homens, relações, o glamour do universo de Carrie e as taradices de Samantha. Enquanto Miranda e Carrie se encarregam de manter a dramaticidade da película, Charlote e Samantha equilibram o jogo com seu humor. O filme é bom, mas achei que a edição arrastou-se demais. 30 minutos a menos de filme não seriam nem notados. O dilema de Samantha e do casal Carrie e Mr. big poderiam ter sido encurtados ou substituídos por um papel mais encorpado da coadjuvante Jennifer Hudson. Mas no final das contas " Sex and the City " cumpre muito bem a que se propôs: ser um episódio mais comprido da série e angariar novos fãs. Pelo tamanho do sucesso, parece que a continuação é inevitável, afinal, o filme arrecadou em seu primeiro fim de semana nos EUA $57 milhões. ( custou $ 65 mi )

Enfim, o filme diverte e no final sempre gira em cima da mesa coisa: Amor e amizade. Comédia romântica com uma dose de drama com personagens consagradas. Fórmula perfeita. Está longe de ser ótimo, mas é justo. Nem sempre queremos sair do cinema com a cabeça fundida não é mesmo?

ps para o público masculino: Não se aborreça se sua namorada quiser ver o filme, vá com ela. Apesar de poder ser maçante em alguns momentos devido ao excesso de marcas famosas do mundinho fashion e das surtadas de Samantha para com Danteeee, o filme pode ser um excelente aliado da ala masculina para conseguir entender um pouquinho mais o complexo universo feminino. É claro que não quero generalizar, mas amor, é igual no mundo todo.

Roger T.

        

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